O Taichi-chuan e seus Benefícios: Rubens Nemitz

O Taichi-chuan (em pinyin: Taijiquan ), significa “O punho dos extremos”, ou a “Arte Marcial dos Extremos”. É uma arte marcial chinesa secular baseada na visão de mundo taoísta. De acordo com registros históricos, foi criada por Yang Lu Chan no século 19, através da junção de seus conhecimentos marciais com o estilo de luta que absorveu do clã Chen da província de Henan, vilarejo Chen (Chen Jiagou), no norte da China. A família Chen, porém, alega que o Taichi-chuan já existia antes que Yang Lu Chan o tivesse criado. Esta afirmação é controversa, já que o termo “Taichi-chuan” só aparece em registros históricos citados como Arte Marcial em textos posteriores à Yang Lu Chan.

Quanto à sua eficiência como Arte Marcial, o que podemos constatar na prática é que, diferente das Artes Marciais denominadas “duras”, ou seja, que usam menos força interna e mais força muscular, o Taichi enfatiza a defesa e a utilização da força do oponente contra ele próprio. Sua estratégia de defesa pessoal se baseia na teoria do “quanto mais forte for o ataque do oponente mais forte será a sua própria queda”. Desse modo é possível para um indivíduo mais fraco fisicamente se sobrepor à um mais forte.

Entretanto, apesar de ter sido criado para defesa pessoal,  hoje em dia, tanto no ocidente quanto na China, o Taichi-chuan é majoritariamente treinado e visto como prática de saúde. Há pesquisa científica que demonstra seus benefícios na recuperação de pacientes com doenças crônicas como hipertensão, diabetes, asma e etc, além de problemas de cunho psíquico, como ansiedade, fobias e stress.  Seus movimentos são mais suaves e mais lentos em comparação à outras modalidades de luta. O corpo deve estar totalmente relaxado e a respiração lenta e sincronizada. O praticante perceberá que os movimentos do Taichi-chuan são bem mais fáceis de executar do que o Yoga trazendo os mesmo benefícios para a saúde mental e física.

 

Sobre o autor:

Praticante de Arte Marcial Chinesa (Kungfu, Taichi, Ch’i-kung) desde 1983 e ex-aluno do Grão Mestre Chan Kwok Wai, introdutor do Kungfu no Brasil, entre outros Mestres.

Especialista em cultura asiática do extremo oriente (China & Japão).

Diplomado como Professor de Caligrafia Chinesa pela Universidade Internacional de Caligrafia e Pintura da China.

Professor e tradutor de idioma chinês e japonês e diretor do Centro de Cultura Oriental no RJ

Autor do Livro didático “Introdução ao Chinês”  – Editora E-papers – 2009

Qigong: A Técnica Milenar para o equilíbrio da mente e do corpo

O Qigong (氣功) (pronucia-se Ch’i Kon) é uma prática de saúde milenar de origem chinesa com elementos da Medicina Tradicional e da Filosofia Taoísta. Praticada  há séculos, espalhou-se por toda Ásia oriental através da imigração chinesa.  De acordo com o pensamento médico chinês, o corpo humano contém 3 elementos essenciais denominados Qi (氣), Xue (血) e Shui (水), respectivamente, “energia”, “sangue” e “água”, que são os fluidos corporais. O Qi pode ser traduzido como “energia vital”, “sopro vital” e etc. Ele flui em nosso organismo e “impulsiona” a circulação do sangue e os outros fluidos pelo corpo humano, além de garantir o funcionamento dos órgãos internos, ou seja, é a força da vida.

Quando há um bloqueio ou desequilíbrio no fluxo do Qi em nosso organismo, a circulação sanguínea e por conseqüência o normal funcionamento dos órgãos internos é influenciado, surgindo assim as doenças. As lesões físicas nos órgãos internos, que causam úlceras e etc são  conseqüência de anos de descuido com os desequilíbrios energéticos do nosso corpo, que podemos detectar, mas muitas vezes não damos a devida importância.  Porém, enquanto o problema se manifesta apenas preliminarmente ao nível energético, ele é muito mais fácil de ser resolvido.  

A Técnica baseia seus exercícios nos chamados “3 ajustes” san-diao: O equilíbrio do corpo (Diao shen); da respiração (Diao xi) e da mente(Diao xin). Assim ele nos permite, de forma completa e envolvendo esses 3 elementos que formam um todo, através de exercícios de respiração, controlar e harmonizar o fluxo de “energia” interna em nosso corpo por dentro dos jing luo, canais e colaterais por onde circula o Qi pelo organismo. Esta técnica inclui exercícios de concentração, relaxamento dos músculos e tendões e pode ser praticada de maneira estática ou em movimento.

O Qigong pode ser praticado por qualquer pessoa e tem um efeito benéfico semelhante ao do Yoga, porém com exercícios mais fáceis de serem executados, principalmente para idosos. A partir da 1ª vez, o praticante já pode sentir seus efeitos: relaxamento e uma sensação de bem estar físico e mental.